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HISTÓRIA DA IMIGRAÇÃO

Desde o fim do século XIX, o Japão atravessava uma crise demográfica, com o fim do feudalismo e o início da mecanização da agricultura. A população do campo passou a migrar para as cidades, para fugir da pobreza e as oportunidades de emprego tornaram-se cada vez mais raras, formando uma massa de trabalhadores rurais miseráveis. Época em que se vislumbrou buscar novas alternativas de trabalho em outro continente, foi quando Companhias de Emigração começaram a incentivar os japoneses a buscar riquezas em outros países, principalmente na América do Sul.

Desta forma, muitos japoneses acabaram optando pelo Brasil, cujo navio Kasato Maru partindo da cidade de Kobe trouxe os primeiros 781 imigrantes, chegando ao porto de Santos às 9h30 do dia 18 de junho de 1908.

Esses imigrantes vieram quase todos, para trabalhar nas lavouras de café denominadas por eles de árvores dos frutos de ouro, sendo enviados inicialmente às propriedades no interior de São Paulo. Em todas as fazendas eram parecidas as disposições das colônias, permitindo que morassem de duas a três famílias debaixo de um mesmo teto.

Partindo também de Kobe, chega em Santos no dia 28 de junho de 1910 a segunda leva de imigrantes japoneses, num total de 906, totalizando 274 famílias, transportadas pelo navio Ryojun Maru.

A primeira solicitação que os imigrantes fizeram quando chegaram ao Brasil foi o arroz; a segunda, o banho de furô. Não poder banhar-se no furô ainda era suportável, mas se não fosse pelo arroz dificilmente os japoneses teriam se acostumado a viver no Brasil.

Como forma de comunicação entre os imigrantes, no início de 1916 surgiu aquilo que mais se assemelhava a um jornal, propriamente dito. O semanário chamava-se Nambei (América do Sul) e tinha de 30 a 40 páginas, impressas artesanalmente em folhas no formato 93 x 63 cm.

Na década de 20, com a vinda de imigrantes considerados mais cultos, muitos deles com formação superior, começaram a ser criadas associações de japoneses e de moços, além de escolas para o ensino das línguas portuguesa e japonesa.

Possuir a própria terra, além de possibilitar que vivessem sem preocupações, dava aos imigrantes a sensação de liberdade para alcançar o sucesso. Assim, foram criados núcleos de colonização, dando início ao aparecimento e expansão das cidades do interior do estado de São Paulo.

Em 29 de março de 1947, dezoito voluntários se reuniram com a intenção de se organizarem e iniciar uma campanha de socorro às vítimas da guerra no Japão. Foi criada então, uma entidade denominada “Comitê de Socorro às Vítimas da Guerra no Japão”, com sede no Rio de Janeiro e filial em São Paulo. Com esse movimento, pretendia-se também unir a colônia japonesa que estava polarizada por aqueles que aceitavam e os que não aceitavam a derrota do Japão na segunda guerra mundial.

Como símbolo da união dos imigrantes japoneses, foi construído o Pavilhão Japonês no parque Ibirapuera, inaugurado em 6 de setembro de 1954 às 16h15, com a presença do governador do estado Lucas Nogueira Garcez. Neste dia, os koinobori tremulavam nos céus ao sabor dos ventos, enquanto o sol da tarde batia forte nos presentes.

A partir da terceira geração no Brasil, os descendentes de japoneses passaram a se abrir definitivamente à sociedade brasileira. Os avós imigrantes trabalharam duro no campo para que seus filhos e netos tivessem futuro no Brasil. Na década de 1960, os japoneses saíram do campo e rumaram para as cidades para concluir os estudos. O principal destino foi São Paulo, que se tornou a cidade com maior número de japoneses fora do Japão.

Como grande acontecimento para a história da imigração, ocorreu no ano de 1967, quando os príncipes Akihito e Michiko, herdeiros do Japão efetuaram visita oficial ao Brasil, sendo recebidos pela colônia japonesa. A ânsia e a saudade que os imigrantes alimentavam pela pátria mãe tomou a forma de grandiosa recepção, sem par em sua história.

A partir da década de 70, o isolamento étnico começou a se deteriorar e a miscigenação passou a fazer parte da realidade da colônia japonesa no Brasil. Atualmente, cerca de 61% dos bisnetos de japoneses têm alguma origem não-japonesa. Os traços mestiços predominam entre esta nova geração, já integrada ao Brasil.

Os vínculos com o Japão ancestral, porém, são menores. Para se ter uma idéia, a maioria não fala ou conhece pouco do idioma japonês.
O fenômeno que se observa nos dias de hoje é a ida de brasileiros de origem japonesa e seus cônjuges para trabalhar no Japão, a maioria como operários na indústria. São os dekasseguis. Atualmente, mais de 300 mil dekasseguis estão no Japão.

Atualmente, a colônia japonesa no Brasil está dividida em:

  • Isseis (japoneses de primeira geração, nascidos no Japão): 13%
  • Nisseis (filhos de japoneses): 31%
  • Sanseis (netos de japoneses): 41%;
  • Yonseis (bisnetos de japoneses): 13%

Além do Estado de São Paulo, a colônia japonesa também tem forte presença nos estados do Paraná, Mato Grosso do Sul e Pará.

Comissão Organizadora de Dracena, dos 100 Anos da Imigração Japonesa no Brasil.
Visando às comemorações do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil, o senhor Prefeito Municipal de Dracena Élzio Stelato Júnior, expediu a Portaria n.3.564 de 21 de fevereiro de 2008, que nomeou a Comissão Organizadora dos 100 Anos da Imigração Japonesa. Para comemorar condignamente este fato histórico, a comissão organizadora programou um grande calendário de eventos culturais, educacionais e esportivos, que serão realizados durante todo o ano de 2008. O ponto alto das comemorações será, sem dúvida alguma, a inauguração em 18 de julho do monumento histórico e do Jardim Japonês idealizados e construídos pela Prefeitura de Dracena, em parceria com a Associação Dracenense de Esportes e Cultura (ADEC). O logotipo de Dracena alusivo ao Centenário foi criado por Marcelo Carlos Sobrinho, cujo trabalho foi escolhido em concurso público,  marcando esta importante data para a colônia japonesa residente em nossa cidade, e juntamente com o logotipo oficial das comemorações no Brasil, e estará presente em todos os eventos programados. Para o sucesso da comemoração, a comissão organizadora conta com as inestimáveis parcerias da Prefeitura de Dracena, Adec e Fundec.
A comissão organizadora é composta pelos seguintes membros: Presidente Edson Hissatomi Kai; Vice-presidente Hideki Okamoto; Supervisão Geral de Kátia Tonello Pedro Stelato, Maria Harue Okamoto e Ana Lúcia Mioto Pereira; Secretários Donaldo Ferreira da Palma e Cezar Kazumi Tabuse, Tesoureiros Carlos Oliveira Reis e Mitsuo Futigami; Comissão Cultural Luiz Carlos Zaniboni, Mary Lucy Amaral dos Santos, Kazue Ishy e Cleber Costa de Melo; Comissão de Educação Magda Tonello Pedro Lemos, Antonia de Souza Scardovelli, Toyoko Tino, Toyoka Miyanishi Tabuse, Jovison Seishi Yoshimura, Edson Fávero e Mariana dos Santos; Comissão de Esportes Mauro Aparecido Alves Filho, Ricardo Henrique Camucci, Pedro Sussumo Konda e Jaime Nakano; Comissão de Imprensa e Divulgação Missias Moura Nascimento, Karen Basso Gomes, Rogério Luciano Pires, Ivã Cláudio Návia Lopes, Antonio Ushizima e Fernando Nunes; Comissão de Eventos Elaine Amália de Melo Oberg da Silva, Alberto Yoshiyuki Yamamoto e Tatsuo Aizawa; Comissão de Transportes Lúcio Sacco, Paulo Kazuo Kiguti, José Ricardo Ramalho e Júlio Takamine; Comissão de Obras Aparecido Celestino dos Santos, Maurício Thomitão Beretta, Sérgio Sakate e Sussumo Tabuse; Comissão de Arrecadação Hermes Tamura, Flávio Yuji Yoshimura, Nelson Antonio Bortolatto e Maria Madalena Correia de Souza.

Dracena, 18 de junho de 2008

 
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