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Faculdade a distância deve crescer 50%
Fonte: Diário do Grande ABC

02/04/2007 - O ensino a distância deve crescer 50% neste ano. A previsão é do secretário federal da Educação a Distância, Ronaldo Mota. A expectativa é de que o número de alunos matriculados em cursos de graduação a distância salte de 114 mil em 2005 para 258 mil até o fim do ano. O Grande ABC detém 15% dos pólos de ensino da Região Metropolitana.

São 12 no total, diante dos 77 espalhados pelos 32 municípios.

A Umesp (Universidade Metodista de São Paulo), única da região a oferecer este tipo de curso, dobrou o número de alunos no último semestre. Hoje, são 2,8 mil em oito cursos da área de humanas.

Para a professora do curso de Tecnologia de Mídias Digitais da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica) Maria da Graça Moreira da Silva, a flexibilidade de horário é o fator mais atrativo. “Isso não quer dizer que não exista atividade presencial. O aluno não estuda sozinho. Há um acompanhamento”, explica.

O preço, bem mais acessível, é outro fator importante. Alguns cursos a distância custam a metade dos presenciais. Manter um curso de EAD (Educação a Distância) precisa de mais estrutura, o que demanda dinheiro. A diferença é que se a turma duplica, os gastos não duplicarão”, esclarece o secretário da Educação a Distância, Ronaldo Mota.

Quando o ensino a distância começou a se propagar, a principal questão de educadores e também dos interessados era que validade e qualidade ele teria. Para a professora de Letras a distância e presencial da Umesp Cátia Veneziano Pitombeira, a qualidade do ensino superior a distância pode superar a do presencial. Um dos motivos é que os alunos são cobrados por atividades feitas no decorrer do curso.

“O aprendizado não pode ser medido pela freqüência na sala, mas, sim, pelas discussões realizadas, pela evolução no aprendizado, que podem ser medidas de outra forma.

“O ensino presencial nunca vai perder lugar. E também é importante lembrar que essa é mais uma possibilidade de aprender”, argumenta a professora da PUC Maria da Graça Moreira da Silva.

Muitas vezes, o preconceito começa no aluno, que ao se matricular no EAD tem visão equivocada. “Achava que não precisaria estudar. Poxa, estudo mais do que se fosse todo dia para a faculdade. São muitos trabalhos e muita cobrança”, conta o estudante de Logística da Umesp, Mauro César de Jesus, 34 anos.
Exigência até maior que em sala de aula

Vanessa Selicani
Especial para o Diário

É pelo computador que o motorista Isael Rodrigues de Lima, 46 anos, entrega as atividades e trabalhos do curso superior de Logística. As aulas teóricas são uma vez por semana no pólo da Umesp em Mauá.

Toda quinta-feira, ele e outros 35 alunos assistem a teleaulas dos professores. Depois, fazem as atividades propostas em grupo e enviam por e-mail ou pelo fórum ao docente.

As aulas são ao vivo. O professor fica num estúdio na sede da universidade no Rudge Ramos, em São Bernardo, e as explicações são transmitidas, em tempo real, para 22 pólos de todo o país. Enquanto grava o programa, o professor recebe perguntas dos alunos via internet.

“O professor está muito presente, apesar de não estar na mesma sala em que os alunos. Todas as perguntas são respondidas”, explica Isael. Casado e com dois filhos de 15 e 14 anos, Isael adiou durante anos a ida para a faculdade. “Minha prioridade era educar meus filhos”, explica.

Sem tempo para freqüentar a sala de aula, ele se diz surpreso com a qualidade do ensino. “Achava que não funcionava, vim por incentivo de colegas. O ensino é bom e o contato com o professor é fácil”, diz.

DEFICIENTES

Acessível para deficientes. É assim que Alan Mazzolini, 28 anos, qualifica o ensino à distância. Morador de São Bernardo, ele ficou tetraplégico há dois anos, depois de um acidente de carro. “Não tenho condições de ir a uma faculdade todos os dias”, explica. Alan acreditava que o EAD (Ensino a Distância) era a oportunidade de tirar diploma fácil, sem estudar. Enganou-se. “Fisicamente, é bem menos desgastante, mas são aulas de qualidade.”

O pólo em que Alan estuda tem adaptação para cadeirantes. “Acho que se não precisasse de um curso assim, não procuraria saber como é”, reconhece.

Um sábado por mês, Nair Hortelã, 55 anos, assiste às aulas de Filosofia do ensino a distância do Centro Universitário Claretiano. Nos outros 29 dias do mês, discute nos fóruns na internet, envia atividades por e-mail e tira dúvidas com o professor pela internet. Ela mora em São Paulo e freqüenta o pólo de Santo André.

“Já fiz faculdade de Pedagogia do método presencial e garanto que aprendi muito mais no EAD”, declara. Para ela, é preciso muito esforço e disciplina para ir bem no EAD. “O professor não fica o dia inteiro no nosso pé. Temos que correr para cumprir prazos”, conta.

Medicina com aulas pela internet

Vanessa Selicani
Especial para o Diário

A educação a distância chegou à área médica. As cirurgias ainda não podem ser feitas virtualmente, mas universidades conceituadas, como USP (Universidade de São Paulo) e Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), já utilizam o método em cursos de extensão e em algumas disciplinas teóricas.

Na região, a FMABC (Faculdade de Medicina do ABC) oferece um curso de dermocosmiatria (estudo dos cosméticos) a distância, que tem estudantes até do Amazonas. E a intenção do diretor da faculdade, Luiz Henrique Paschoal, é que a modalidade cresça nos próximos meses.“O curso de dermatologia será o primeiro a ter algumas diciplinas virtuais”, afirma Paschoal, que quer ficar na história da faculdade como o “diretor da informática”.

O Brasil produz tecnologia para que os cursos de Medicina possam utilizar a educação a distância. Foi criado pela USP, na diciplina de Telemedicina, um programa chamado Homem Virtual. O programa reproduz o funcionamento do corpo humano , utilizando animações virtuais. Está em fase de finalização o primeiro embrião virtual do mundo, construído pelo programa.

MENOS TEMPO

A expectatica dos especialistas é que o ensino não-presencial possibilite que a matéria dada em seis anos diminua para três.

Chao Lung Wen, coordenador de Telemedicina na USP, explica que o objetivo não é encurtar o curso, mas inserir mais conteúdo. “Algumas especializações demoram até 12 anos. A Telemedicina pode diminuir esse tempo. Nossa verdadeira intenção é dar mais conteúdo.”

A Unifesp é uma das universidades participantes do projeto UAB (Universidade Aberta do Brasil) e transmitirá aulas a partir de junho para três pólos em São Paulo e, em outubro, para mais oito, no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Amazonas.

“A região Norte, principalmente a área indígena, receberá aulas daqui de São Paulo sobre primeiros socorros”, conta a coordenadora técnica da Unifesp Virtual, Gisele Garbe.Cirurgias a distância podem soar como ficção científica. Mas no Brasil já está em circulação produtos como o eletrocardiograma por telefone. O aparelho permite transmitir o exame por telefone para um hospital.

Os limites do ensino da Medicina a Distância gera polêmica entre professores. A maioria ainda acredita ser impossível a formação 100% pelo método. “O aluno precisa desenvolver o raciocínio, a prática e o contato com o público”, conclui Wen.

(Supervisão de Cláudia Fernandes)

 

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